Jean Carlos Araujo Ferreira

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Há cerca de dez anos trabalho em escolas, lecionando e em setores administrativos, também. Conheci escolas cinzas e com muito concreto, com grades rígidas e muros altos. E conheci escolas com muito verde e jardins.

Quando a Plataforma Terráqueos surgiu no Colégio Santo Agostinho, vi muitas coisas mudarem. Vi alunos que, ao encerrar o horário nas sextas feiras, já não corriam para os portões da escola, mas caminhavam para a sala de reuniões. Iam planejar quais ações aconteceriam no mês – visitar uma feira de adoção de animais ou organizar mobilizações pelas redes sociais contra os rodeios? Vi uma escola que abriu seus viveiros e devolveu seus pássaros à liberdade de rumarem por onde a natureza os convidasse, pois os limites, agora, seriam os dos céus. Vi uma catadora de papel ser aplaudida por mais de 600 alunos num ato cívico, reconhecimento de sua dedicação ao trabalho e à reciclagem do lixo, gestos que moldaram novas consciências. Vi, durante um dia do ano, o uniforme mudar: nesse dia, os pés ficam descalços, para todos sentirem como são árduas as restrições que os nossos irmãos sofrem na África e no Jequitinhonha – e nesse dia, doar um calçado para eles faz diferença. Vi o Haiti ser logo ali, pois a solidariedade tem mesmo esse poder de encurtar distâncias. Por essas e outras, “sou terráqueo” e, mesmo que um dia eu não continue no colégio, permanecerei “sendo terráqueo”, pois essa plataforma mudou o meu jeito de ver as coisas, e isso se tornou parte de mim.

 

Jean Carlos Araujo Ferreira

 Coord. Depas – Departamento de Evangelização, Pastoral e Ação Social