Audiência pública em BH discute o destino de capivaras que vivem na orla da Pampulha

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01/10/2013

 

Nesta semana, representando o setor educacional e a Plataforma Terráqueos, a diretora Aleluia Heringer, do Colégio Santo Agostinho – Contagem participou da Audiência Pública da Câmara Municipal de Belo Horizonte, na qual foi discutido o destino das capivaras da Lagoa da Pampulha.

Conforme amplamente noticiado pela imprensa, a remoção de cerca de 150 capivaras que vivem na orla vem sendo discutida desde agosto. Por um lado, há alegações sobre os riscos à saúde humana e os danos causados por elas aos jardins de Burle Marx, e, por outro lado, ativistas da defesa animal se empenham em mais uma luta. 

Conforme matéria do site da Revista Ecológico, veja aqui os argumentos de quem é contra e a favor da remoção de 90% das capivaras: 


ESTRATÉGIA

O que diz quem é a favor: A remoção das capivaras é a melhor estratégia. Para assegurar o bem-estar dos animais, a melhor forma de manejo será validada em conjunto com a Fundação Zoobotânica e o Ibama. Cerca de 10% dos animais serão mantidos no local e monitorados de forma permanente pela empresa vencedora da licitação.

O que diz quem é contra: A prefeitura deveria realizar consulta pública antes de determinar o destino das capivaras. Além de ser um procedimento caro, há dúvida com relação ao destino dos animais. Em outra remoção do tipo, realizada em 2011, as capivaras removidas não foram abatidas, mas serviram de matriz de reprodução para filhotes que foram sacrificados e tiveram a carne comercializada. 

 

PATRIMÔNIO

O que diz quem é a favor: As capivaras estão se alimentando dos jardins restaurados de Burle Marx. A descaracterização ameaça o reconhecimento do Conjunto Arquitetônico da Pampulha como patrimônio cultural da humanidade, cuja candidatura é avaliada pela Unesco. A recuperação já custou R$ 4 milhões até aqui.

O que diz quem é contra: O cercamento dos jardins é medida suficiente para preservar os jardins de Burle Marx. Outra opção seria atrair os animais para outras áreas da orla a partir da plantação do capim de batatais. Estudos já realizados ao longo da bacia do Rio das Velhas mostram que este capim é o prato preferido dos roedores. Onde está plantado, é até oito vezes mais procurado pelas capivaras que outras espécies vegetais. 

 

FEBRE MACULOSA

O que diz quem é a favor: A presença dos animais amplia o risco de contaminação por febre maculosa, transmitida pelo carrapato-estrela, frequentemente encontrado nas capivaras.

O que diz quem é contra: O mesmo carrapato que transmite a febre maculosa parasita tanto capivaras como cachorros, aves, gatos e outros animais presentes na orla. Se o problema é este - ou seja, o risco de transmissão da febre maculosa -, as capivaras não seriam as principais ameaças. 

 

DESCONTENTAMENTO

O que diz quem é a favor: As capivaras ampliam os riscos de atropelamento e incomodam os moradores da Pampulha, que começam a ter seus jardins comprometidos. A ação é preventiva.

O que diz quem é contra: A prefeitura não apresenta dados que comprovem a insatisfação. Pelo contrário, uma pesquisa realizada por alunos do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG com frequentadores da Pampulha mostra que 95% dos entrevistados são a favor da permanência das capivaras na orla.