O Fim do Meu Universo Azul

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Eu já estava quase em casa depois de uma longe e perigosa viagem marítima. Dois dias antes, uma amiga e eu tínhamos sido perseguidas por pessoas com arpões. Minha amiga foi morta, mas eu escapei enquanto ela era colocada no barco. Um dos arpões perfurou minha nadadeira, uma dolorosa lembrança da perda de minha companheira. Apesar da dor, consegui nadar bem rápido para chegar logo em casa.
Fui tomada por profunda depressão ao atingir o lugar onde nasci e ver o estado deplorável de meu recife de coral favorito. Aquela tinha sido a mais bela formação de coral que eu tinha visto em todos aqueles anos de viagem. Agora a área estava cheia de corais quebrados e sem cor espalhados por toda parte. Havia latas e lixo enroscados no recife. O jardim da minha memória achava-se em ruínas.
Enquanto observava essas mudanças, só vi o que estava na minha frente tarde demais: uma rede! Tentei lutar para me soltar, mas fui puxada violentamente para a superfície. Uns homens tiraram-me da água, penduraram-me num gancho e me cutucaram com ferramentas. Depois disso, eles tiveram uma atitude bastante esquisita: devolveram-me à água. O medo e o cansaço que sentia eram quase insuportáveis, mas continuei lutando. Ao chegar no alto da praia pude ver o rastro de sangue atrás de mim. Tinha me cortado, com caco de vidro que estava na areia.
Vagarosamente, cavei um buraco profundo. Pus meus ovos, descansei um pouco e voltei para o mar. A vida de meus filhotes iria ser difícil nos decadentes mares do mundo, mas nossa espécie continuaria. Cheguei à beirada da água e fui coberta por ondas de espuma branca. Sentindo-me fraca por causa da perda de sangue, tive a impressão de estar sendo sufocada. Havia alguma coisa cobrindo minha cabeça. Era um saco de plástico! Eu já não tinha mais energia para me livrar dele. Quando meu pulso diminuiu, os olhos fecharam-se na escuridão.
                                               Pachamama – Missão Terra 2: ações para salvar o Planeta.

Escrito por crianças e jovens de todo o mundo. São Paulo: Melhoramentos, 2005.


FONTE: priscilamajopoemas.blogspot.com.br