Tolerância em debate

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Atualmente, a sociedade brasileira, se depara com fatos que despertam distintos posicionamentos. As velhas divisões políticas, ideológicas, marcam e acentuam a conjuntura de lados opostos que caminham em direções opostas. Mas para entender o contexto que marca a época atual, se faz necessária uma breve observação sobre a modernidade em geral. Hoje, por um lado, a tolerância se situa como uma alta exigência para o caminhar futuro da humanidade e, por outro lado, a intolerância se determina como um grave problema permanente e ameaçador.

Sabe-se que as sociedades tradicionais eram hierarquizadas, o que significa dizer que existiam níveis de poder, de honra, de prestígio. Existiam pessoas mais importantes do que outras, e existiam pessoas mais iguais umas das outras. Dessa forma, é que se podiam legitimar privilégios mediante o posto social ocupado por uma pessoa. Sem dúvida, esse modo de pensar, permanece bastante vivo, numa palavra, enraizado na formação do Brasil, uma vez que até hoje se vê coisa semelhante.

De igual maneira, nas sociedades tradicionais, a posição, a identidade de uma pessoa, era estabelecida pelas classes, pelo papel social exercido por ela.

Com efeito, na modernidade, ocorre uma mudança de paradigma. Aqui acontece uma transferência da identidade que era determinada socialmente, para uma identidade particular, isto é, o indivíduo busca sua própria identidade, o indivíduo quer instituir o que ele é a partir de sua constituição mesma, portanto independentemente do que era socialmente estabelecido.

Isso conduz melhor para a compreensão de que as sociedades modernas são sociedades plurais. De fato, a questão cerne da tolerância e da intolerância reside precisamente nesse ponto. Mas o que significa aqui uma sociedade plural, pluralista? Para exemplificar, basta dizer que o homem antigo, possuía uma visão de mundo, uma cosmovisão, que abrangia uma organização, um todo geral da realidade. Já o homem moderno, não enxerga dessa forma. Há uma forte fragmentação de tudo, de conhecimento, do trabalho. Então, não há mais uma harmonia de sentido na vida humana. Consequentemente, emerge uma disputa de propostas de sentido.

Assim sendo, conviver com o diferente, com quem pensa diferente, com concepções de mundo e de vida distintas, se torna um desafio presente, desafio este que se manifesta de diferentes maneiras e por diferentes motivos. Conceber, o sujeito humano como indivíduo responsável pela construção de sua formação essencial e constitutiva, como ser realizador de escolhas próprias que funcionarão como identificadoras, é um passo já na trilha da tolerância.

Felipe Augusto Ferreira Feijão