Registros de baleias encalhadas no Espírito Santo alertam pesquisadores

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Onze baleias jubartes foram encontradas mortas, encalhadas em praias de norte a sul do Espírito Santo nesse início de temporada de migração. O número é considerado alto, pois normalmente os encalhes acontecem em maior quantidade somente a partir de outubro. 

Os primeiros registros foram em Marataízes (sul do Estado) e Ponta da Fruta, em Vila Velha, há menos de duas semanas. E os mais recentes foram no Parque Estadual Paulo César Vinha, em Guarapari, domingo (30) e, nesta segunda-feira (31), um duplo encalhe, em Urussuquara, São Mateus, e no Parque Estadual de Itaúnas, em Conceição da Barra. Este último, um filhote ainda vivo, com quatro metros de comprimento.

Pesquisadores que acompanham os resgates ainda não têm uma explicação. “Estamos preocupados”, afirma Lupércio Araújo, presidente do Instituto Orca, ONG capixaba dedicada ao estudo e conservação de animais marinhos.

A preocupação maior, segundo o ambientalista, é de que 2017 não repita o chamado “Fenômeno 2010”, ano em que um número recorde de mortes desses grandes cetáceos marinhos aconteceu em nível mundial, nacional e estadual. Foram 92 óbitos no Brasil, 53 deles no Espírito Santo.

Lupércio conta que somente três anos depois do ocorrido é que os especialistas em cetáceos conseguiram chegar a uma conclusão sobre a causa: falta de alimentos, possivelmente em decorrência das mudanças climáticas. O que ocorreu em 2010 foi pouca disponibilidade de krill, plânctons e peixes para alimentação das baleias que, fracas na viagem de migração para reprodução, acabaram morrendo em grande quantidade no mundo inteiro.

Por ora, o Instituto Orca e também o Instituto Baleia Jubarte que, mesmo com sede no sul da Bahia, faz atendimentos no Espírito Santo, recomendam que as pessoas avisem sobre baleias mortas, se possível, quando elas ainda estão boiando no mar, situação em que o recolhimento pode evitar os transtornos que um encalhe na praia costuma provocar, especialmente em áreas urbanas.

Além disso, antes do encalhe, o corpo está em estado menos avançado de decomposição, permitindo uma melhor investigação sobre as causas da morte do animal. Não foi o que aconteceu até o momento este ano, pois em nenhuma das seis baleias recolhidas pôde ser feita necropsia.

Lupércio chama atenção ainda para a falta de preparo das prefeituras capixabas, a quem se deve a atribuição de recolher e dar destinação adequada aos corpos dos cetáceos. O Orca defende que seja estabelecido algum tipo de consórcio entre prefeituras e instituto de pesquisa, para permitir ações mais ágeis e eficientes.

“Sabemos onde alugar as máquinas e quais os procedimentos que funcionam melhor pra cada caso. Mas é preciso que as prefeituras direcionam os recursos financeiros necessários”, orienta. É preciso a ação de um trator de esteira e de uma pá carregadeira ou uma retroescavadeira, ambos com capacidade mínima de 40 toneladas. Mas geralmente, relata o pesquisador, os municípios querem empurrar o animal de volta pro mar ou retaliá-lo na própria praia, utilizando máquinas com capacidade bem menor. “Merece uma discussão”, enfatiza.

A orientação é de que, ao avistar um cetáceo morto – baleias, golfinhos, toninhas – na praia, ou de preferência ainda no mar, a população ligue para o Programa de Monitoramento das Praias, no número 0800 039 5005.

Por Fernanda Couzemenco

FONTE: olharanimal.org