Dia da Conservação do Solo, uma data para se pensar

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Nos tempos que correm, ao invés de comemorar o "Dia do Solo", 15 de abril deve ser o momento de pensarmos juntos sobre o que estamos fazendo com o Planeta.

Para nós, seres tipicamente urbanos, a palavra ‘terra' lembra sujeira; lembramos logo de calçadas por varrer, de sapatos embarrados, do carro empoeirado, e de, no domingo, plantar umas avencas e samambaias no jardim - com luvas, claro, para não sujar as mãos.

Entretanto, a agricultura de bases ecológicas considera o solo um "ser vivo" cheio de vitalidade e complexidades, a ser observado e estudado em três aspectos: 1) físico (drenagem, capacidade de reter água, textura, porosidade, por exemplo); 2) químico (quantidade de matéria orgânica, pH, nutrientes, substâncias prejudiciais, húmus) e; 3) biológico (micro e macro-organismos que o habitam, como fungos, bactérias, minhocas, insetos, formigas, dentre outros). Todos os três igualmente importantes para que os processos naturais possam ocorrer.

Processos naturais, como assim? O ciclo hidrológico, por exemplo, depende do tipo de solo e de sua conservação para que a água das chuvas possa se infiltrar e alimentar as reservas subterrâneas que, por sua vez, garantem as nascentes e os rios. Você já pensou que a base da vida animal é a produção vegetal, que nasce e cresce a partir da interação sol, plantas e solo? A fotossíntese, aquela que você estudou na escola, é pura verdade e continua acontecendo do mesmo jeito. Nenhum cientista inventou, ainda, um chip capaz de transformar luz em árvores, flores e frutos.

Frente à sua próxima refeição, pare e pense onde tudo começa: na velha e boa terra, também chamada solo. A salada, o arroz, o feijão, o bife (afinal, bois comem capim), o ovo frito (galinhas comem milho e minhoca, lembra-se?). Até mesmo a água mineral, fresquinha, vem de onde? Do solo.

Resta-nos, portanto, cuidar muito bem dele. Mas o que nós, habitantes das cidades, podemos fazer?

Afinal, pensamos, solo é coisa de interior, da roça, de fazendas. No entanto, as cidades contribuem - e muito - para a degradação dos solos com a ocupação de terras férteis, erosão, contaminação por produtos químicos, impermeabilização causada por estradas, edifícios, calçadas e estacionamentos. Só para recordar (esta é do tempo da fotossíntese), você se lembra da Mesopotâmia e seu crescente fértil? Por que você acha que tudo acabou e hoje a região do Iraque é tomada por desertos? Por causa do manejo inadequado do solo, que causou a sua salinização.

Leia a seguinte informação a respeito da perda de solo no planeta:

"As estatísticas sobre perdas físicas de solo em todo o mundo revelam que, a cada ano, bilhões de toneladas de terra fértil são erodidas e transportadas para os rios. Segundo o Programa de Qualidade Ambiental da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Brasil as perdas já atingem 840 milhões de toneladas anuais (t/ano) e estão aumentando, com a abertura de novas frentes agropecuárias no Centro-Oeste e na Amazônia" (http://www.ecoltec.com.br/pub4.htm).

Mas vamos ao que interessa: o que podemos fazer na vida real, no jardim de casa?

- evite calçadas concretadas, pois isto muda o pH da terra, causa aquecimento e impede trocas gasosas; use pisos permeáveis, que não necessitam de contrapiso. Além de protegerem a terra auxiliam a infiltração da água das chuvas;


- quando fizer uma obra, guarde o solo superior, cerca de 30cm (ele é cheio de microvida e matéria orgânica); utilize-o posteriormente para refazer o jardim. Cubra as pilhas de terra evitando que a chuva a carregue e tenha cuidado para não contaminá-la com produtos químicos (tinta, solvente, concreto). Se sobrar terra ao final da obra, espalhe uma camadinha pelo seu jardim, ofereça aos seus vizinhos, jogue em áreas verdes. Terra é muito preciosa para ser misturada ao entulho e chamada de "lixo";


- não estacione sobre a grama, pois isto compacta a terra, impede que ela respire e dificulta a infiltração da água das chuvas. Também evitará que pingos de óleo e gasolina contaminem o seu jardim; 


- trocar as espécies de seu jardim ou plantar várias espécies juntas, em um mesmo canteiro, ajuda a manter o equilíbrio do solo;


- ao adubar, não pense que muito adubo vai fazer muito bem. Adube na quantidade indicada. Dê preferência aos adubos orgânicos, são a melhor política. Quando em demasia, os sais dos adubos químicos contaminam a terra;


- evite agrotóxicos, pois eles não são "remédios" para os bichinhos do jardim, são veneno mesmo e podem permanecer no solo por longo tempo;


- matéria orgânica é muito importante para a saúde da terra e o Cerrado brasileiro tem baixa quantidade dela. Não jogue no lixo folhas secas e restos das limpezas do jardim. Quem disse que folha seca é lixo? Varra para dentro dos canteiros e misture superficialmente à terra ou, então, deixe-as amontoadas em um canto que acabarão por se decompor. Espalhe nos canteiros onde farão um bem imenso;


- mantenha a terra de seus canteiros sempre coberta com material morto (palha, restos de grama cortada seca e até mesmo seixos). Assim, você aumentará a quantidade de matéria orgânica, protegerá o chão do impacto dos pingos de chuva, dos raios intensos do sol e auxiliará os pequenos animais que moram por lá.

Aqui na Câmara dos Deputados, temos muitos cuidados com a terra de nossos jardins. Veja algumas das nossas ações:

• É feita compostagem de restos de podas e de aparas de gramas, do pó de café usado e do pó de serragem. Após a conclusão do processo, utilizamos o composto (adubo orgânico) nos jardins;
• Utilizamos diversos outros adubos naturais e um adubo químico com muitos micro e macroelementos, sempre em quantidades controladas;
• Não usamos agrotóxicos, apenas venenos alternativos;
• Os gramados são descompactados anualmente, facilitando a troca gasosa e a infiltração das águas das chuvas;
• Mantemos os canteiros cobertos com grama seca ou serragem;
• A terra que sobra em reformas ou de vasos refeitos é guardada e reutilizada; e
• Nos esforçamos por evitar erosões mantendo as áreas sempre plantadas, com desenhos bem planejados e utilizando plantas que auxiliam na fixação do solo.

Nós, seres urbanos, sem percebermos, continuamos ligados à natureza e a seus processos; mesmo comprando alface no mercado, ela continua sendo plantada na terra e fazendo fotossíntese. O lado bom é que, se quisermos, a partir de nosso jardim podemos auxiliar o planeta.

Nunca mais jogue no lixo o vaso de crisântemos que morreu: peça ao zelador que espalhe a terra no jardim do seu prédio ou condomínio.


Quem sabe no futuro tenhamos o que comemorar!

Detec -Seção de Manutenção de Jardins - EcoCâmara


FONTE: camara.leg.br