Vítimas de estupro terão a coleta de vestígios de violência sexual realizada no Hospital Público Regional de Betim ou na Maternidade Pública

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 procedimento, parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Polícia Civil, segue as diretrizes da portaria 1.662 do Ministério da Saúde

A partir do mês de dezembro, as vítimas de estupro atendidas em Betim terão a assistência da coleta de vestígios de violência sexual realizada no Hospital Público Regional de Betim (HPRB) ou na Maternidade Pública. Para garantir mais humanização e agilidade no atendimento aos casos, a coleta, que antes era realizada pela Polícia Civil, no Instituto Médico Legal (IML), passará a ser feita nas unidades hospitalares seguindo as diretrizes da portaria 1.662, de 2 de outubro de 2015, do Ministério da Saúde. "A parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Polícia Civil garante o melhor acolhimento da vítima, evitando que ela precise relatar sobre o abuso em mais de um serviço público, além de poupá-la do deslocamento para ir coletar os vestígios de violência sexual no IML, principalmente em situações que envolvem menores de idade", explica a referência técnica de Causas Externas, Tânia Resende.

Equipes multiprofissionais do HPRB e da Maternidade Pública receberam treinamentos sobre o novo fluxo de atendimento. Os kits com os materiais para a coleta, fornecidos pela Polícia Civil, já foram entregues. Na próxima semana, nos dias 12, 13 e 14 de dezembro, haverá a capacitação de médicos e dos demais profissionais que prestam assistência na Maternidade Pública Municipal. "Desde agosto estamos em treinamento contínuo. Nessa capacitação, iremos repassar o conhecimento sobre o novo fluxo de atendimento e sobre a utilização dos kits que recebemos. É muito importante qualificar a equipe para que possamos evitar a exposição e revitimização das pessoas que sofrem abuso sexual. O procedimento sendo feita no serviço de saúde vai garantir mais qualidade e agilidade na coleta para a possível identificação do agressor, o que favorece também as investigações no registro de boletim de ocorrência", destaca a coordenadora de enfermagem da maternidade, Lilia de Almeida.

Atendimento às vítimas de violência sexual

Pessoas que são vítimas de violência sexual devem procurar o Hospital Público Regional de Betim ou a Maternidade Pública Municipal até 72 horas após a agressão. É fundamental buscar o atendimento o mais rápido possível após sofrer a violência, para que o acompanhamento multiprofissional, os exames e o acesso à medicação sejam feitos. Em Betim, de 2011 a 2016, foram notificados 459 casos de violência sexual. Desse total, 85,9% foram agressões contra mulheres. A maioria das vítimas são crianças e adolescentes, 39,6% na faixa etária de 10 a 19 anos.

Projeto Pelo Fim da Violência Contra a Mulher de Betim

Estudos da Organização Mundial de Saúde apontam que 59% das mulheres sofrem violência sexual. Uma pesquisa realizada em 2006, nos Estados Unidos, revelou que a maioria das vítimas de estupro conhecia o agressor, sendo que 43% das vítimas do sexo feminino foram estupradas pelo parceiro íntimo. No Brasil, os indicadores também são alarmantes, conforme dados do Ministério da Saúde. Os registros mostram que 70% das vítimas de estupro no país são crianças e adolescentes e grande parte dos agressores são pais, familiares ou alguém de convívio próximo da vítima.

Com o objetivo de debater o tema, o Projeto Pelo Fim da Violência Contra Mulher de Betim, com o apoio da Prefeitura de Betim, organizou na última segunda-feira (21), no Centro Administrativo, a palestra "Violência contra a mulher: pelo fim da cultura do estupro", ministrada pela desembargadora da 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Evangelina Castilho Duarte. Participaram da palestra, profissionais da Saúde, Assistência Social, Educação e Segurança Pública. "O assunto é de muita relevância para a saúde pública. Debater sobre a realidade com os diversos agentes sociais e propor soluções para combater a violência sexual contra a mulher é fundamental para a prevenção. É importante também a capacitação contínua dos profissionais de saúde para escutar, acolher e atender corretamente as vítimas", destacou a referência técnica de Causas Externas da Secretaria Municipal de Saúde, Tânia Resende.  

 

FONTE: betim.mg.gov.br