Animais negros são rejeitados e ‘encalham’ para adoção

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O preconceito em relação aos negros não se resume aos humanos. Cães e gatos também são vítimas por parte das pessoas. “Conseguir a adoção para um desses animais é a coisa mais difícil do mundo”, relata Ana Carolina Pimenta, fundadora do grupo Amor de Bicho, de Campinas.

Chico, de 3 anos, é um dos inúmeros casos. Está há dois anos em busca de um lar. O mesmo ocorre, por exemplo, com Raposão, que tem 3 anos, e que já está na busca há um ano e meio.

O preconceito também é relatado por Marjorie Rodrigues, fundadora do grupo OperaCÃO Resgate, de Campinas.

“Todo mundo quer filhote, branquinho, peludinho, macio e de porte pequeno. Acham que as características físicas do animal vão dizer se ele é ou não mais carinhoso que o pretinho, de pelagem dura, porte médio e adulto”, conta.

“Estamos com uma ninhada de cinco filhotes (foto ao lado), quatro pretos e um loirinho. Mas ninguém se interessa pelos pretinhos; só querem o loirinho….”, exemplifica Marjorie.

“Miguel, preto, de pelagem dura e porte médio, ficou cinco meses para adoção. Conseguiu ser adotado porque quem adotou o irmão dele (o Lindo, que é branquinho e de pelo macio) resolveu dar uma chance para o Miguel também”, conta a voluntária.“Esse foi um caso de sucesso, mas na maioria das vezes não é assim”.

Raquel, de 2 anos, Vitória de 1 ano, e Pétala, de 4 meses, por enquanto não tiveram a mesma sorte. “Ninguém quer dar uma oportunidade para elas”.

 

Adultos

O problema, entretanto, não se resume aos animais pretos. Conseguir um lar para os adultos – sejam eles claros ou não -, também não é tarefa fácil.

Entretanto, embora a maior parte das pessoas não tenha consciência, adotá-los traz, entre suas vantagens, o fato do animal já ser mais tranquilo (tanto pela idade quanto pela castração), não destruindo roupas e utensílios domésticos. Somam-se a isso o fato de já saberem onde fazer suas necessidades; já virem com o temperamento definido (diferente dos filhotes, que ainda estão em formação) e já virem com o tamanho definitivo (porque não crescem mais)

Mas, “o mais importante é que o cão adulto demonstra todo momento sua gratidão por ter sido escolhido. O olhar deles e suas atitudes comprovam isso. É maravilhoso”, diz Marjorie.

Entre os adultos da Amor de Bicho, encontram-se Buscapé, que foi despejado sedado, pelo antigo tutor, em um lugar longe de casa para não poder voltar mais. Mas, mesmo após ser abandonado, o cachorro voltou para o antigo tutor, em Hortolândia, por fidelidade. Vivia amarrado embaixo do sol, sem água, nem comida. Estava lotado de pulgas e carrapatos. Foi resgatado após denúncia. Hoje está a procura de um lar responsável.

Já a antiga tutora de Snoopy, queria induzir sua morte depois que ele não conseguia mais andar. Snoopy ficou doente em consequência de Cinomose (que pode ser prevenida com vacinação anual, feita por um veterinário). Entretanto, o Amor de Bicho o resgatou, o reabilitou e hoje ele também está apto para adoção.

 

Apelo

“Estamos vivendo um momento caótico na proteção animal. Os pedidos não param de chegar. As pessoas não têm consciência da importância da castração – para onde se olha há filhotes nascendo já abandonados. E, os que têm dono não são tratados devidamente: morrem de doenças que podem ser prevenidas”, relata Ana Carolina.

Além disso, “há falta de apoio dos órgãos públicos. Não temos, por exemplo, uma delegacia especializada, e não temos a quem recorrer. Não damos conta de tantos pedidos de ajuda e de tantas denúncias. Nós nos sentimos enxugando gelo”.

O pior “é que falo pelo Amor de Bicho e por qualquer outro grupo de proteção animal, pois todos vivem o mesmo drama. Nós seguimos fazendo nossa parte pelo amor que temos por eles, e contamos com a ajuda de todos. Por isso, todo tipo de ajuda é bem-vinda”, completa.

 

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